Cordéis... lírios... delírios... cor de lírios... Ou apenas mais um lugar (comum?!) onde dou vez e cor aos meus delírios!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Das Belezas da Ferrugem¹

(Foto do muro-mural de minha casa)
Contornando todo o ferro
a beleza da ferrugem.
Cicatrizes, impressões,
ao longo do tempo surgem.

Com relevo específico,
sobressaltos que lhe urgem.


Mostra o ferro num canto...
Um tanto gasto, curtido...
 Mas  ali alguém inventa,
e dá-lhe novo sentido.
Em eternos descontínuos,
já não é  o que tem sido...

Beleza do transitório,
há devir, mas não dever.
 Do que só é quando sendo,
é um é sem querer ser.
Que é tão belo quando
se inventa no transver
.

Transformado pelo ar,
ganha cor do invisível.
Do tempo, esse pintor,
meio incompreensível,
que altera o que imaginar,
não há nada impossível.


Subverte-se as coisas
até então esclarecidas.
Com a leveza do ar
  a rigidez é esculpida.
Questionando-se o peso
  e outras tantas “medidas”.

A ferrugem é metáfora
das relações que implica.
Com o contato com outro
um pouco dele ali fica,
recebendo também um tanto,
já também se modifica

Mas não seja inocente
 aqui também há perigo,
 não se pode distinguir
 entre bom ou mau, amigo.
São apenas uns delírios
 que eu trago cá comigo...

¹Cordelírio criado após breve contato com as invencionices de Manoel de Barros.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dor Gravada - Patativa do Assaré


Gravador que estás gravando
Aqui, no nosso ambiente,
Tu gravas a minha voz,
O meu verso, o meu repente
Mas, gravador, tu não gravas
A dor que o meu peito sente!

Tu gravas em tua fita
Com a maior perfeição,
O timbre da minha voz,
A minha fraca expressão
Mas não gravas a dor grave
Gravada em meu coração!

Gravador, tu és feliz!
E - ai de mim - o que será?
Bem podes ter desgravado
O que em tua fita está.
Mas a dor do meu coração
Jamais se desgravará!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobras do cordel anterior


Cantadores,
são encantadores,
Enquanto encantam o sertão,
cantam suas dores.
Com versos e conversas,
contam a paixão
de rimar seus versos,
de cheirar suas flores,
de cantar regressos e partidas
à terra dos seus amores.


sexta-feira, 4 de março de 2011

À todos os cantadores



À todos os cantadores

Aqui na terra rachada,
na quintura do verão,
menestréis sertanejos
brotam do árido chão
implorando por chuvas
com a viola na mão.

São nossos grandes poetas,

os maiores do lugar,
que batalham nas pelejas
com as violas a tocar.
Dominam a poesia
sem nem mesmo estudar

É a manha sertaneja,
de todo bom nordestino
que fala quase cantando
desde muito pequenino.
Que canta sua alegria
e também seu desatino.

Patativa, Zé Limeira
são alguns dos nossos astros,
Não tão populares quanto:
Olavo, Drummond e Castro,
                mas com versos tão sinceros               
   deixaram também seu rastro.

A vocês peço licença,
pra tentar também rimar.
Peço-lhes ainda a bênção
pra poder me ajudar.
Pra vencer muitas pelejas
  e cantar meu Ceará.

  Todos vocês que inspiram
  outros tantos cantadores,
que divulgam esta arte
  pintando varais de cores,
  a vocês todos eu peço:
- Cantem aonde fores!
 
Kércio Prestes

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Deus é o mesmo ou Conversa de Santo

Sincretismo Religioso - José Luiz Soares
Belo Horizonte – MG, 1935
Sincretismo Religioso
Óleo sobre tela
53 × 103 cm


Deus é o mesmo ou Conversa de Santo

Tardezinha na calçada,
dois cumpade proseando,
um tomando um café,
  e o outro se balançando.
 A cadeira rangendo,
 e o café fumaçando.

Depois de uma golada
Bastião assim falô:
- Ô negoço engraçado!
Ao que o outro retrucô:
- Mas do que tu acha graça?
Posso saber, por favor?

-É dessas coisas de santo,
  que é tudo parecido!   
Só pode Deus ser o mesmo,
o que faz todo o sentido.
Por que só muda o nome,
 tu já tinha percebido?

- Mas que cunversa rapaz?!
Onde tu qué chegá cum isso?
Quer dizer que São José,
é igual ao padim Ciço?
Cada qual obra milagre,
mas muda o compromisso.

- Mas tem uns que muda tudo
inté a religião,
mas é tudo parecido,
num tem diferença não.
O certo é crer em Deus,
e querer menos confusão.

- O povo briga por tudo,
  e de vera, aliás,
até brigar pela fé,
esse povo é capaz.
Deus mesmo num gosta disso,
ele quer ver tudo em paz.

- Agora deixe eu contar
           como o certo é ter fé,          
  tem alguns santo daqui,
  igual os do candomblé,
  todos dois santificado
  e do jeito que Deus quer.

- Por aqui tem a Iara,
que é uma das sereias,
igual a Iemanjá,
e a santa das candeias,
como também é a mãe d’agua,
 no fundo das águas cheias.

- Aqui nóis tem Santa Bárbara,
  que pode ser Iansã.

  E nóis tem também Sant’ana,
  a quem chamam de Nanã
                e se quiser digo mais,               
               e só findo amanhã.              

- Pode ser um encantado,
Ou santo, ou orixá...
Pode-se fazer macumba,
pode-se também rezar,
fazendo mal a ninguém,
Todos têm o seu lugar.

Kércio Prestes

sábado, 21 de agosto de 2010

O parto, enfim...

Hoje, finalmente resolvi escrever alguma coisa aqui. Vim postar alguma coisa, e vi que aqui constava que a última postagem tinha sido no dia 30 de setembro de 2009, mas em verdade eu nunca postei nada, essa portanto deve ter sido a data de criação do blog, não sei... Não sei quando irei voltar a escrever, muito menos, se irei escrever com frequência, até porque a faculdade me consome muito tempo. 
Na verdade só estou escrevendo aqui, em razão da falta de um violão que pudesse pelo menos diminuir meu cansaço, estresse e angústias. Ainda não domino esse instrumento, aliás nenhum dos dois, minha irmã que o diga(ela sempre reclama que eu só toco a mesma coisa, que só sei algumas batidas)... Mas o que importa é que pelo menos com o violão funciona, então vamos ver se isso aqui também... Como já disse, não domino essas coisas relacionadas a blogs, por isso vai ser difícil, pelo menos em um primeiro momento, encontrar aqui fotos, vídeos e afins...
Nesse espaço, penso poder colocar alguns cordéis(de antemão aviso que algumas vezes leia-se quase o tempo todo cometo alguns erros, quanto à métrica),poemas, textos, delírios, epifanias e outras coisas que podem ou não fazer sentido, tendo ou não alguma relevância para quem lê... Até porque a intenção aqui, não é agradar a ninguém. Não que eu queira chegar a um bobo "non legor, non legar", porque se assim fosse nem postaria aqui, e ademais, gosto de ler o que os outros escrevem. 
Obviamente ficarei até um pouco contente se de alguma maneira gostar do que leu, mas que fique bem claro que essa não é a intenção e/ou razão de eu escrever aqui. Desta forma, aproveito então pra terminar reiterando esta minha posição citando Machado de Assis: "...ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são duas colunas máximas da opinião. [...] se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com piparote, e adeus."